Adaptação

12/07/2017
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Adaptação às mudanças climáticas pode ser entendida como uma série de respostas aos impactos atuais e potenciais da mudança do clima, com objetivo de minimizar a exposição a possíveis danos e aproveitar as oportunidades potenciais.

Enquanto a mitigação refere-se a uma intervenção antropogênica para reduzir seus impactos no sistema climático, a adaptação refere-se ao ajustamento dos sistemas naturais e humanos em resposta às mudanças climáticas e seus efeitos (IPCC). O ideal é que exista sinergia entre ações de mitigação e adaptação.

As mudanças climáticas podem implicar em resultados de negócios adversos, incluindo interrupções nas operações, aumento no custo de investimentos e de seguros, ou diminuição de medidas financeiras como valor, retorno, crescimento. Estes impactos serão determinados pela probabilidade dos eventos climáticos aos quais a empresa está exposta e as vulnerabilidade das empresas.

Da mesma forma que os riscos físicos, os não-físicos também ameaçam os negócios. Estes riscos não-físicos podem ser, por exemplo: risco regulatório (possível regulamentação sobre adaptação), riscos reputacionais (percepção dos stakeholders quanto às ações de adaptação) e risco de mercado (mudanças na demanda do consumidor ou nos produtos e serviços dos mercados fornecedores).

A chave para uma estratégia de adaptação de sucesso é mapear impactos potenciais, priorizar riscos e oportunidades, identificar quais ações de adaptação adequadas a serem implementadas e monitoradas. Na prática, a adaptação envolve uma mistura de estratégias de respostas como: construção de resiliência climática; ampliação da tolerância a riscos; e incorporação e alocação de perdas.

Cada caso utilizará uma combinação diferente de estratégias de acordo com a aversão ao risco, valores e capacidade adaptativa da organização, além da possibilidade de explorar oportunidades. Investimentos de longo prazo (infraestrutura, construções, plantações de florestas, etc) devem incorporar o desenvolvimento de flexibilidade e resiliência para lidar com as mudanças projetadas no clima. Planejar a introdução de medidas de adaptação para coincidir com outras manutenções e aprimoramentos, ou tirar vantagem de rupturas não-previstas reduz os custos e o potencial de interrupção ou perturbação das operações e atividades.

Atividades da EPC em adaptação

Neste contexto, em 2013, a EPC em parceria com a UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), promoveu o Fórum Latino Americano de Adaptação as Mudanças do Clima, cujo principal objetivo foi reforçar ações de adaptação como parte da estratégia das empresas latino americanas, considerando o papel relevante destas na agenda de adaptação. Foi enfatizado que uma agenda empresarial de adaptação deve contribuir tanto para evitar riscos através da redução da vulnerabilidade frente às mudanças climáticas, como para criar novas oportunidades e negócios.

Dando continuidade a este trabalho, em 2014, a EPC desenvolveu, em conjunto com as empresas membro e com o apoio da GIZ e da Fundação Konrad Adenauer, um Ciclo para a Elaboração de Agendas Empresariais de Adaptação às Mudanças do Clima e uma Ferramenta que auxilie a implementação deste Ciclo. Cinco empresas pilotos desenvolveram projetos piloto entre 2014 e 2015, elaborando suas estratégias corporativas de adaptação com a aplicação da primeira versão do Ciclo e da Ferramenta da EPC. Para saber mais sobre os cinco projetos pilotos para a elaboração de uma estratégia empresarial de adaptação às mudanças do clima, clique aqui

Veja também a Publicação online sobre Adaptação Empresarial às Mudanças Climáticas, que apresenta um panorama dessa agenda, barreiras e motivações, os casos de 4 empresas e principais aprendizados. Essa é uma publicação dinâmica, que será atualizada com próximos eventos relevantes e outros casos empresariais na medida em que ocorrerem. 

O Ciclo (figura 1, abaixo) e a Ferramenta da EPC são instrumentos aplicáveis a qualquer empresa independente do seu porte, setor ou região de atuação e detalham as etapas e passos a serem seguidos para a elaboração de um plano de adaptação robusto, como parte de uma estratégia empresarial. 

Em 2015, no âmbito do Projeto Economy-Wide Adaptation to Climate Change, implementado pelo GVces em parceria com Ministério do Meio Ambiente (MMA) e UKCIP, com o apoio da Embaixada Britânica, o Ciclo e a Ferramenta da EPC foram revisados considerando as sugestões recebidas das empresas e parceiros e, especialmente, a partir da experiência da UKCIP com adaptação no setor empresarial (especialmente a partir da ferramenta Wizard). Assim, estão disponíveis as versões 2.0 do Ciclo e da Ferramenta para adaptação empresarial. 

Figura 1: Framework para a elaboração de estratégias empresarias de adaptação às mudanças do clima

Fonte: Empresas pelo Clima, 2014
 
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Referências bibliográficas para o conteúdo dessa página
SUSSMAN, F. & FREED, R., Adapting to climate Change: A Business Approach. Pew Center on Global Climate Change. USA, 2008.
UKCIP – United Kingdom Climate Impacts Program, Adaptation types.

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