Energia

12/07/2017
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O Brasil está bem posicionado rumo a uma sociedade de baixo carbono, pois 45% de sua matriz energética provêm de fontes que não emitem CO2 (renováveis e energia nuclear), contra menos de 20% na média mundial. No entanto, o crescimento acelerado do preço da energia elétrica é hoje um grande desafio para a manutenção de uma matriz energética limpa no Brasil. A tarifa de eletricidade brasileira passou a ser uma das mais caras do mundo. Caso a urgente ampliação da oferta de energia elétrica no país — até 2019 a demanda em TWh deve aumentar em cerca de 56%, considerando uma taxa de crescimento anual média de 5,1% — seja feita por meio de usinas térmicas baseadas em carvão ou óleo combustível, de elevada emissão de gases de efeito estufa (GEE), a condição favorável do país pode ser alterada.

As energias renováveis podem ser consideradas uma inovação com grande potencial de contribuição para o desenvolvimento sustentável, em razão dos amplos benefícios sociais e ambientais que em geral resultam da sua disseminação e uso em transportes ou geração de eletricidade. O Brasil dispõe de diversas opções de geração de energia limpa e competitiva para sua expansão: hidroeletricidade, biomassa, energia eólica, energia solar, e etanol e biodiesel na área de transportes. Em menor desenvolvimento, há também a energia oceânica e energia geotérmica. Mas tão importante quanto aumentar a oferta de energias renováveis é aumentar a eficiência do consumo da energia gerada a partir de fontes renováveis ou não, em indústrias, na construção civil e em transporte.

O avanço da eficiência energética da sociedade em escala global pode se dar em prazo mais exíguo que a transição para uma matriz energética global mais renovável, que não se dará de forma abrupta, uma vez que a dinâmica que sustenta o modelo energético não-renovável atual é difícil de ser revertida por razões como: (i) o elevado nível de consumo material e energético em países desenvolvidos, que se reflete também em maior ou menor escala em países emergentes, (ii) a infraestrutura energética não-renovável já estabelecida, planejada com vistas ao longo prazo e de forma capital-intensiva, (iii) a crescente demanda por serviços relacionados à energia em todo o mundo, e (iv) o crescimento populacional.

Restringindo a análise do contexto brasileiro apenas para oferta de energia elétrica, o modelo adotado pelo país no século XX, lastreado na geração a partir de hidrelétricas faz com que apresente um componente renovável elevado: 85,4% da oferta de eletricidade, em 2008 foram provenientes de fonte limpa. Na oferta de energia elétrica, fica claro o foco nas grandes hidrelétricas, responsáveis por 80% da geração, e na biomassa, sobretudo a partir do bagaço de cana-de-açúcar em projetos de cogeração, em detrimento das demais formas de energia renovável, como eólica e solar.

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica 2010-2019, prevê-se a redução das fontes renováveis para 82,7% da oferta de energia elétrica e a manutenção das grandes hidrelétricas como fonte principal, ainda que com menor relevância – respondendo por cerca de 70% da oferta de eletricidade no país até 2019. Vale mencionar o crescimento previsto da capacidade instalada no país para pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) (4,2%), biomassa (5,1%) e eólica (3,6%), que passarão a responder por 12,9% em 2019, ante 9,7% em 2010. Essas três fontes foram as contempladas pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA), iniciativa do Ministério de Minas e Energia para fomento de tecnologias alternativas instituída em 2002, e que deixou de fora outros tipos de renováveis, como a energia solar.

Saiba mais

Propostas para Implementação do Plano Indústria de Baixo Carbono: Eficiência Energética na Indústria (2015)

Propostas Empresariais de Políticas Públicas para uma Economia de Baixo Carbono no Brasil: Energia, Transportes e Agropecuária (2011)

Cartilha do EPC: Eficiência Energética e Energias Renováveis (2010)

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