Transportes

12/07/2017
COMPARTILHE

(Silvio Tanaka/Flickr - CC BY 2.0)

O setor de transportes apresenta grandes desafios para os próximos 20 anos, considerando não só o cenário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) projetado, como também os gargalos para o setor no Brasil e a sua dependência de recursos energéticos de origem fóssil.

De acordo com o segundo inventário nacional de emissões, relativo ao ano de 2005, o setor de transportes emitiu 134,57 MtCO2e, o que representa 6,1% das emissões de CO2e brasileiras (8,1% das emissões de CO2), superando as emissões industriais no setor de energia. Cerca de 92% das emissões do setor são provenientes do modal rodoviário de carga e de passageiros.

O maior desafio diz respeito ao aumento da eficiência do setor de transportes por meio da integração intermodal. As dimensões territoriais do Brasil e suas condições geográficas (extensão da costa oceânica, bacias hidrográficas) não condizem com uma matriz de transporte de carga centrada no modal rodoviário. Uma matriz mais diversificada, com maior participação dos modais ferroviário e hidroviário (fluvial e de cabotagem), é de importância estratégica para o País, não apenas pelo menor gasto energético por toneladaquilômetro transportado, como para o aumento da competitividade da indústria nacional, de forma a reduzir os custos logísticos e os atrasos, bem como a garantir que a infraestrutura de transportes do País deixe de ser um gargalo para o crescimento estimado para o Brasil nas próximas décadas.

Tanto a PNLT (Política Nacional de Logística e Transporte) quanto a PNMC (Política Nacional de Mudança do Clima) enfatizam a necessidade de reduzir o volume de frete transportado por rodovias e investir em modais de transporte mais eficiente do ponto de vista energético e ambiental. O PNLT prevê em um horizonte de 15 a 20 anos, aumentar a participação do modal ferroviário dos atuais 25% para 32%, e do aquaviário de 13% para 29%. Os modais dutoviário e aéreo aumentariam para 5% e 1% da matriz de transportes, respectivamente, e o rodoviário cairia dos atuais 58% para 33%.

A adoção de políticas que visem à integração dos modais, o aperfeiçoamento do modal rodoviário mais limpo, a fiscalização e regulamentação do transporte (renovação de frotas), e o financiamento e desenvolvimento de infraestrutura são todos caminhos para a diminuição das emissões no setor. O Brasil deve aproveitar seus recursos e os investimentos e se planejar de forma inteligente em busca de maior eficiência energética no setor, o que pede uma articulação interministerial além de cooperação, cobrança e participação do setor privado.

Em paralelo, a inserção de conceitos da sustentabilidade para os sistemas de mobilidade urbana pressupõe a necessidade de estabelecimento de políticas de transporte sustentável, integradas a outras políticas setoriais, que compreendam, dentre outras medidas, melhor planejamento urbano, maior investimento em modais não poluentes e de baixa ou nenhuma emissão de GEE, a melhoria do fluxo de veículos de transporte comercial, público e privado e, em consequência, a redução no tempo médio dos deslocamentos. Os congestionamentos urbanos não são apenas um problema para motoristas e passageiros, pois totalizam imensas perdas para a economia brasileira em horas improdutivas, em desperdício energético e em problemas de saúde pública — o que, além de grave em si, também afetam a produtividade das empresas e da economia do país.

Por último, a ampliação do uso de biocombustíveis na matriz energética do transporte brasileiro, respeitando-se critérios socioambientais de produção, possibilitará tanto a redução das emissões de GEE quanto à menor dependência de derivados de petróleo.


Saiba mais

Oficina de Transportes e Logística (setembro/2011)

Cartilha do EPC: Transportes e Logística na Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa

 

Leia também

Propostas Empresariais de Políticas Públicas para uma Economia de Baixo Carbono no Brasil: Energias, Transportes e Agropecuária

Mais Lidos

Nenhum post encontrado.